Mostrando postagens com marcador Paraná. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paraná. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de julho de 2014

NO PARANÁ...




Lá no Paraná eu tinha um carrinho de rolimã, mas a roda era de madeira. Eu descia a rua com ele, mas depois não tinha forças para levar ele pra casa...

Lá no Paraná eu era a única pessoa da igreja que tinha televisão em casa e praticavam bullying contra mim... Certa vez, quando resolvemos sair em viagem, contratamos um "irmão da igreja" para cuidar de nossa casa. Ele queimou nossa TV de tanto que assistia!

Teve uma vez no Paraná, que teve um evento no colégio e eu cantei uma música de Sandy e Junior e a música falava sobre menino de rua e eu tava vestido como um.

Quando eu estudava no Paraná, minha mochila quase batia no chão, eu era muito pequeno e meu apelido era prego. Também me chamavam de Galinha, pois eu sentava em cima de meus pés, sempre colocavam bolinhas de papel embaixo de minha cadeira.



No Paraná eu tive uma professora que batia em aluno, uma vez ela puxou meu cabelo.

Uma vez no Paraná uma velha bruxa me acusou de entrar na casa dela e roubar 10 garrafas. Ela quase levou uma surra da minha avó.

Quando eu morava no Paraná eu tinha dois cachorros, duas maritacas, uma ratinha, um papagaio e dois gatos, sendo que um tinha o rabo torno e chamava ferrugem, mas minha avó só chamava ele de Yuiu, pois ela não sabia falar, mesmo ela tendo batizado o gato.

Uma vez no Paraná eu subi no telhado para ver uma rachadura, só que a telha não aguentou e eu quase caí no meio da minha cozinha. Passei a semana inteira indo ao colégio pulando num pé só, quebrei o dedo e nem sabia.

Cara, uma vez no colégio, lá no Paraná... Meu grupo passou a semana inteira fazendo uma maquete linda, aí no dia de entregar, ninguém deu atenção a nossa obra de arte.

Eu fiz uma garota desmaiar durante uma feira de ciências, fui mostrar fotos de doenças sexualmente transmissíveis e ela caiu... Isso foi lá no Paraná.

Lá no Paraná eu morava num município tão pequeno, eu era a única criança que tinha uma bicicleta pequena que tinha marcha.

Um dia voltarei no Paraná para me vingar de todos que roubavam minhas canetas no colégio. Mas eu também roubava algumas, então eles devem querer se vingar. Vou ficar por aqui.

Saudades do Paraná...

sábado, 7 de setembro de 2013

O quartel pegou fogo e a culpa foi minha...

Nem pensem que começarei me justificando por ter sumido por tanto tempo, o blog é meu e eu escrevo quando quiser, afinal de contas ninguém me paga por isso, não pagam nem com comentários. Na verdade eu ia apenas fazer uma postagem no Facebook, mas como ela começou a se desenvolver na minha cabeça de uma forma assustadora, eu resolvi transferir todas essas abobrinhas para o blog. Abobrinhas não, história! Esqueçam a bronca, continuo amando vocês <3 font=""> 

Independência ou Morte? Morte!

Bem, hoje é sete de setembro, um dia que não gosto muito. O motivo? Traumas de infância! Eu era uma criança minúscula, tão minúscula a ponto de meus pais usarem lupa pra falar comigo e, como várias outras crianças minúsculas do mundo, ninguém me dava a devida atenção quando fazia minhas reivindicações. E o que uma criança minúscula pode reivindicar? TUDO!


Lista de reivindicações:

1- Não quero que pintem bigodes na na festa junina!
2- Não me comprem roupas de presente, eu quero brinquedo, pô!
3- Também não adianta me dar brinquedo e deixar em cima do armário!
4- No desfile de sete de setembro eu quero ser da MARINHA!
5- Gosto mais da Angélica que da Xuxa!
...  E essa lista de 151 itens vai evoluindo e se proliferando com o tempo como se fossem Pokémons, portanto me controlarei e vou focar APENAS no Independece Day e seus desfiles (não que eu queira falar sobre minha preferência pela Angélica).


Lembro de estar muito feliz quando soube que desfilaria pela primeira vez. Minha turma representaria as Forças Armadas e eu estava em cólicas pra ser um soldado da marinha, isto é, se tivessem me escolhido para representar a marinha. Eram três opções: Exército (clichê), Marinha (Popeye, Pato Donald, farda legal) e Aeronáutica (chapéu estranho) e por mais que eu insistisse, desenhasse e representasse a marinha, a "tia" achou que eu ficaria melhor no exército. Não reclamei na hora, mas no fundo eu desejava que meu coleguinha tivesse uma dor de barriga, caísse ou fosse sequestrado pelos vilões do Jaspion! Fui desfilar por uma rua interminável, minhas botas resolveram que seria bem interessante me castigar e me deram calos horríveis. Não consegui chegar na metade do caminho e desfalquei o trio. Ganhei chinelos novos e a chance de, no ano seguinte, representar novamente o exército. Um ano depois, lá estava eu, com a mesma roupa verde e com a mesma inveja do traje alheio, a diferença é que nesse ano alguém estava vestido de Peter Pan e era um personagem que nasci pra fazer. Tem horas que o mundo é bem cruel e vingativo.

O tempo passou e eu já era um adolescente repleto de inseguranças comuns daquela idade. Na época morava no interior do Paraná e seria o primeiro desfile da cidade e por esse motivo tinha tudo para dar errado. O egocentrismo do Prefeito obrigou o colégio a homenagear o município, por essa razão tivemos um desfile com vacas, cavalos, tratores... Uma amiga minha veio representando as granjas e distribuiu pintinhos para os espectadores. PINTINHOS! Foi, sem dúvidas, o desfile mais engraçado e incrível que já participei na vida! Bem, quanto a mim, eu era o aluno que carregava a faixa do colégio. Achei legal carregar coisas, mas meu desejo era vir no alto de um carro alegórico, entretanto, um colega já estava ocupando essa vaga. Preciso deixar claro que, no Paraná, os desfiles possuem carros alegóricos, como no carnaval, mas sem mulatas peladas, confetes e serpentinas, o que é uma pena, ficaria ainda melhor. No ano seguinte fui promovido a Presidente da República e pude vir no alto de um carro, acenando para os eleitores da classe baixa. Teria sido meu auge, se as pessoas não tivessem mais preocupadas com duas bêbadas malditas que invadiram o evento, brigando, xingando e sendo mais interessantes eu! 

Eu estava no último ano, quando resolvi entrar para a banda. Aprendi a tocar surdo, ensaiei por horas, dias, meses. Era minha chance de brilhar, estava orgulhoso de mim, pois era a primeira vez que havia ido tão longe com um projeto que envolvesse música.  No dia da apresentação tivemos uma convidada especial: A Chuva! Se vacas, cavalos e cachorros podem desfilar, qual o motivo da chuva não ter esse direito? Ela veio e tudo foi transferido para a próxima semana, porém ela resolveu ficar até o final do mês... Como não teria sentido comemorar o sete de setembro em outubro, tudo foi cancelado e eu nunca pude tocar surdo (não devo levar em consideração os 5 minutos antes da chuva, quando a baqueta escorregou na minha mão e se perdeu no meio da multidão. Nunca mais encontrei).

Analisando tudo de uma maneira superficial, podemos concluir que tudo sempre deu errado pelo simples fato de eu sempre desejar estar na posição da outra pessoa e que tudo isso foi um castigo. Como disse isso seria uma forma superficial de analisar toda essa história. Observando tudo de uma forma mais profunda, concluo que eu fiquei muito lindo de farda do exército... A única que já usei na vida. FIM
Tudo isso foi só uma desculpa para postar essa foto cute.

sábado, 22 de junho de 2013

O Zeca

Isso aconteceu numa sexta-feira. Estava um calor infernal. Veja bem, eu AMO calor - fruto da minha infância no Paraná, onde o frio era tanto que me obrigava a usar duas calças. Mesmo morando no bairro mais quente do Rio de Janeiro - que não direi o nome por medo de assaltos, cobranças e testemunhas de Jeová - aquela temperatura estava acima do normal... Meu suor estava suando!

Estava reclamando da vida, das pessoas, de mim e do mundo, quando avistei uma estranha criatura. Parecia um duende, porém como duendes não existem, ele era apenas um rapaz baixo, muito baixo, tão baixo quanto minha autoestima naquele dia. Foi quando o meu telefone tocou e me fez esquecer da vida, ou seja, me atrasei mais uma vez para um compromisso importantíssimo.

Disparei em busca de um transporte, mas eles só existem quando não precisamos. Subi as escadarias da estação de trem, milhões de pessoas horrorosas e com gosto muito duvidoso para vestimentas, aquilo me chateou, mas eu não tinha tempo de fazer caras feias. Tudo parecia uma gincana do Faustão, eu tinha que correr e me desviar dos feios, saltar as crianças, desfazer os casais e chegar ao meu destino. Já sentia o gosto da vitória quando um obstáculo me derrubou. TROPECEI NO ANÃO.

As pessoas riam, apontavam, tinha uma velha ridícula me filmando... Era esse o meu final? Me tornar um viral da internet? Uma Inês Brasil sem peitos? Sem pensar duas vezes eu puxei o rapaz pelo braço, entramos no trem e, antes da porta fechar, eu mostrei o dedo do meio para todas aquelas pessoas fracassadas. Sempre quis fazer isso, desde que assisti Titanic sozinho na sala de cinema.

Aquela figura desgraçada parecia não demonstrar nenhuma reação aos fatos acontecidos e isso era muito estranho, uma vez que o puxei sem nem saber se ele precisava pegar aquele trem, talvez tenha lhe puxado por compaixão, ou apenas queria algo mais ridículo para desviar atenção.

Perguntei seu nome, mas a voz era tão baixa que me fez desistir, por isso o batizei de Zeca, não me perguntem o motivo. Até estava bem vestido e nem feio era, na verdade achei um pouco parecido comigo, ou até mais bonito que eu.... Não, Zeca era lindo! Tentei puxar assunto mais uma vez, sem sucesso, o máximo que captei é que ele possuía um blog pessoal. Já gostei.

O trem parou e, inesperadamente, ele desceu. Sem nada dizer. Sem nada olhar. O mal educado nem se despediu. Nunca mais nos vimos.

O que restou foi um cartão com o endereço do blog. Zeca não era tão invisível assim... Ele nem se chamava Zeca.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Era uma Vez no Paraná...


Paraná é uma palavra tupi guarani que define um braço de
rio, largo e extenso, que forma uma ilha, e que encontra o
mesmo rio mais adiante.

paraná do tupi guarani: pará + nã = semelhante ao mar.

Este post está repleto de links para maior (ou não) diversão e entendimento.



Hoje é dia de desembrulhar aquele chiclete velho que tava no fundo da gaveta. Vou inaugurar aqui uma sessão que será um sucesso tão grande e mágico que logo a MTV irá produzir uma série estrelada por Marcelo Adnet... Poderá também se tornar mais esquecível que a carreira musical de Théo Becker (Vocês lembram? Nem eu!)

Bem é inegável que tudo isso está ligado a uma certa tendência egocêntrica, gosto de falar de mim, afinal sou o dono disso tudo aqui! O fato é que inúmeras vezes, com amigos de todos os círculos, quadrados e, agora, triângulos, vivo a narrar minhas loucas e animadas desventuras de quando era uma criança feia de pé vermelho e vivia no Paraná.

Então, como no antigo programa da Xuxa, joguei as cartinhas par ao alto e foi sorteada uma viagem pra Disney "Uoldi", mentira, foi sorteado um tema de inauguração e hoje falarei de Fabiana.

Fabiana tem a minha idade e foi uma das minhas melhores amigas de infância, ou seja, nutri por ela uma paixão platônica enlouquecedora. Éramos duas crianças estranhas com roupas cafonas. Eu era nanico, "zóiudo" e me vestia como um Chiquitito; ela era amarela, testuda e usava um vestido listrado preto e amarelo que eu abominava. Nunca namoramos.

Ela era a mais velha de dois irmãos, sua família também era evangélica e a proibia de brincar com meninos (RISOS), a ponto de uma vez seu pai aparecer em minha casa ordenando que minha avó colocasse um fim em nossa amizade. Minha avó, além de gargalhar na cara dele, também ordenou que "ele prendesse suas cabritas, uma vez que seu bode estava solto". O Bode era eu...

O mais divertido dessa parceria é que crescemos numa doutrina rígida de uma religião (onde eu era o único, em toda cidade, que tinha TV em casa. Isso era imperdoável... Mesmo que todos os "irmãozinhos" ocupassem meu sofá pra ver desenhos diariamente) éramos vistos como rebeldes. Todos os outros de nossa idade já tinham se batizado e, como eles costumam hipocritamente dizer, saído do mundo (Assim é chamado o território fora das regras evangélicas).

Anos antes do surgimento de Geisy Arruda, minha amiga já havia sido hostilizada, quando, num passeio religioso, apareceu usando um vestido que era um palmo acima do joelho, um escândalo para a sociedade. O dia em que surgiu trajando calça vermelha e cabelo escovado conseguiu ser mais apoteótico que o retorno de Paola Bracho em "A Usurpadora", merecia uma trilha sonora.

Mas... Aquelas crianças jogaram-se na Lagoa Azul, cresceram e cada um seguiu seu próprio caminho, no entanto, conscientemente sabemos que ainda vamos nos reencontrar e rir... Mesmo tendo certeza que o passado não volta e a magia não será a mesma... Como numa reprise de Maria do Bairro.