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sexta-feira, 15 de abril de 2016

VINTE MESES

Já estou “fuçando” há algum tempo. Talvez tempo demais. Fico feliz que o Facebook não tenha aquela insuportável função de indicar os últimos visitantes, pois ele poderia achar que possuo algum tipo de psicopatia, ou pior, poderia COMPROVAR que tenho essa  psicopatia, e isso não seria legal para um primeiro encontro. Bem, na verdade não sei se posso chamar de encontro o ato de me reunir com uma dúzia de pessoas para simular um reality show da TV.

Já ia desligar o computador, quando algo me chamou a atenção: Ele era fã de Pokémon. Imediatamente senti que várias butterfrees voavam no meu estômago, isso me atrapalhou a dormir, o sentimento de expectativa estava grande e isso seria um enorme problema, seriam horas rolando na cama e o resultado disso seria que acordaria com cara de zumbi e um par de olheiras que desceriam pelo meu queixo, com sorte talvez ele pudesse achar engraçado, vou torcer por isso...

Obviamente me atrasei. Ele já estava lá. Ele era bem melhor que nas fotos, e considerando que tinha passado um bom tempo olhando para elas, isso prova o quanto ele era incrível. Perante isso existia um outro impedimento: Será que ele era legal? E foi aí que ele abriu a mochila e tirou um Pokémon de pelúcia. Quem leva um Pokémon de pelúcia para uma gincana numa manhã de domingo? O amor da minha vida leva!

Tudo o que ele falava eu concordava. Tudo o que eu falava, ele questionava. Nossa, tínhamos muitas coisas em comum, o signo era o mesmo, as opiniões eram semelhantes... Ele era perfeitamente a pessoa que sempre idealizei encontrar e que achava que existia somente em séries adolescentes americanas. Ele era a pessoa!

Naquele momento ouvi sininhos, não os sinos mágicos que ouvimos quando nos apaixonamos, mas o sino de um vendedor de pipoca, pois estava no meio de um parque lindo, um local ideal para se começar uma grande história de amor.

Ouço alguém chamar meu nome e imagino que tenha ficado um bom tempo em transe, percebi que apenas quatro pessoas compareceram ao evento e as chances de fracassar eram infinitas, não queria ir embora. Daí por diante tentei me controlar, tinha acabado de sair de um relacionamento e ainda não estava totalmente recuperado, porém algo me prendia àquele menino, um desejo de ficar perto, uma vontade de não ir embora.

Ele decide ir ao banheiro. Espero um momento, me controlo para não ir atrás. Vou atrás e me olho no espelho. Não é tão ruim quanto eu imaginava: os olhos estão um pouco vermelhos, mas as olheiras não estavam gritando para eu dormir. Quando voltamos, ele me dá um abraço bem apertado e sua bochecha encosta na minha. Um arrepio sobe na minha espinha. Preciso me controlar. Me controlo... Me controlo demais...

Um controle tamanho a ponto de nada ter acontecido. Os meses se passaram e algumas coisas aconteceram na minha vida. Coisas boas. Coisas ruins. Mudanças!

Um belo dia, eis que ele aparece para falar comigo. Queria me convidar para uma festa. Não uma festa qualquer, mas uma festa que eu amava. Era uma festa à fantasia, ficamos horas conversando, debatendo sobre como nos fantasiaríamos. Conclusão: fomos de Ash e Pikachu, e foi um grande sucesso! Aquela festa poderia ser o local perfeito para que uma nova história começasse. Em meio a uma dança nos beijamos, contudo, sininhos mágicos não soaram, pelo contrário, tocava É o Tchan... 

O que aconteceu? Onde estava aquele encantamento que havia nascido no parque? Eu não entendi... Ele muito menos...

Mais uma vez o tempo passou...

Faz muito tempo que não conversamos. Um afastamento. Os eventos com fãs de reality show haviam diminuído, e, desde a festa de carnaval, parecia que algum tipo de bloqueio havia surgido entre nós. Acho que seremos apenas amigos, ou nem isso?

É manhã de domingo, e a primeira coisa que faço quando levanto, é ver se estou com olheiras horrorosas. São quase dez horas e mais uma vez estou atrasado. Fazia tempo que não ia a nenhum evento de simulador de jogos, mas dessa vez muita gente havia confirmado. Ele havia confirmado...
Como de costume, cumprimento todas as pessoas com um beijo no rosto e um abraço e foi nesse momento que recebi o abraço que me fez ouvir sininhos, sinetas, sinões e sirenes. Que magia tinha aquele parque para me deixar assim? Como eu poderia me ver interessado em alguém apenas por um abraço, sendo que com o beijo nada tinha acontecido?

Quando volto para casa, estou pensativo. Não tenho noção do que fazer e quando estou sem noção faço coisas idiotas como abrir uma janela de chat e começar a falar sem limites. Alguém precisava me parar, pois minha boca de metralhadora estava incontrolável, eu não só tinha me declarado, como já debatia sobre os nomes dos filhos...

16 de abril de 2014, há dois anos...
Chego ao shopping com duas horas de atraso. Com certeza ele ia me dispensar, eu me dispensaria. E quem é que vai a um primeiro encontro usando um cardigã? Quem eu pensava que era, algum personagem gay do Glee? Para o meu conforto ele também não era muito normal. Dessa vez não tinha levado um Pokémon, tinha levado uma maleta de primeiros socorros, era o seu material de trabalho da faculdade. Não demorou muito para ele querer me examinar. Estávamos no meio da praça de alimentação, onde ele me obrigava a colocar a língua para fora, para ver se eu prestava por dentro (isso foram palavras dele).  Fiquei assustado e torci para chegar a hora do filme. Inventei uma desculpa e saímos da praça de alimentação. Demos a volta em TODO o shopping a procura do cinema, cinema este que ficava logo à frente da praça de alimentação.

Foi ali que tudo começou. 


Dois anos atrás...
Dois anos de mordida.
Dois anos de carinho.
Dois anos de beijinho.
Dois anos de briguinhas que terminavam em mais mordida, carinho e beijinho.
Dois anos que parecem cem...

Dois anos podem parecer muito tempo, mas o fato é que a certeza que tenho nesses dois anos, é a mesma certeza que tive nos primeiros dois minutos desse mesmo dia... 


quarta-feira, 24 de abril de 2013

QUEBRA-CABEÇAS

ATENÇÃO, tem cafonice nesse post, se não curte não leia! Agora se não se importa com isso, dê o play e seremos cafonas juntos.



"Eu te odeio"
"Oi?"
"Isso mesmo que ouviu, eu te odeio!"
"Porque?"
"Não temos nada em comum e não consigo deixar de te amar. Eu te odeio!"

Um belo dia decidi deixar de ser solteiro, meus pés já haviam perdido a eficacia de se esquentarem sozinhos, faltava alguma coisa, mas acho ofensivo e brega dormir de meia. Confesso que não sou uma daquelas pessoas legais que falam gesticulando o tempo inteiro, mas acho que sou engraçado e flerto descaradamente, uns dizem que isso tem relação a falta de caráter, porém prefiro acreditar que seja coisa de astrologia. Como pretendia mudar meu status no Facebook, resolvi fazer uma pequena lista de exigências:

1- Não pode morar longe.
2- Não pode fumar.
3- Nada de amigos malignos.
4- Nada de nudez em lugares inadequados.
5- Não pode em hipótese alguma ser do signo de Leão! Nesse caso nem amizade. 

Meu egocentrismo gigante me fez procurar pessoas que fossem meu clone, nada que acrescentasse ou modificasse um pouco do marasmo da minha vida, amar alguém parecido comigo seria como amar a mim. Brilhante? Não, preocupante. Só depois concluí que isso não era amor próprio, estava mais para doença.

O tempo trouxe desilusões e com isso aprendizado, não acho nada interessante aprender com sofrimento, o colégio e a faculdade já exercem com maestria essa função. 

O bom da vida é que sempre aprendemos coisas novas. Estava eu numa festa e fazia o que sei fazer de melhor em ambientes deste tipo: Estava perambulando. Já tinha bebido o suficiente para manchar de vez minha reputação. Foi nesse clima apocalíptico que, pendurado num pole dance, nossos olhos se cruzaram. Aquela festa estava uma droga, uns beijos descompromissados salvariam a noite. É óbvio que não dividirei com vocês tudo o que aconteceu naquele evento etílico, por motivos de egoísmo.

Trocamos telefone, E-mail, Rede Social e tudo aquilo que se troca quando temos certeza de que nunca mais veremos a outra pessoa. Erro rude.

Voltamos a nos encontrar, percebi que o pacote de cigarros não incomodou. Mostrou-me seus desenhos, também era artista e, para um libriano como eu, isso é tão importante quanto "tatuar o pulso com nomes de familiares" é importante para a classe C. Ironicamente o signo era Leão, meu alarme apitou pela primeira vez, para piorar éramos separados pelo mar. Talvez eu tenha sido um idiota em achar que aquilo daria certo, éramos mais opostos que Regina Casé e a elegância. Logo na primeira briga, terminamos. No primeiro reencontro, reatamos.

Preciso confessar que o gosto da nicotina deixa o beijo interessante. Também confesso que o meu problema com o signo de Leão era mera implicância, Leão nem significa tanto autoritarismo... Mentira, forcei, Leão é autoritário, dono da verdade e gosta de ser o centro das atenções, porém isso é ótimo quando se relaciona com librianos indecisos e calmos. E quanto a distância, bem, Niterói não é tão longe quanto parece.

É cafona e clichê comparar a vida a brinquedos, mas é FATO que não faz muito sentido montar um quebra-cabeças com peças estupidamente iguais. Eu não sabia o que aconteceria comigo naquela história repleta de altos, médios e baixos, mas quem se importa? O importante é que agora meu copo não ficará mais vazio.