terça-feira, 16 de abril de 2013

Alguém aperta o START?

Pare tudo o que está fazendo e se imagine como uma criança. Não precisa ser você, pode ser uma criança bonita, daquelas da televisão que dançam e cantam... Não as que cantam como adulto, pois isso me dá um pouco de
arrepio e acho que elas não se encaixariam nesse contexto. Enfim, agora que já pensou no personagem, imagine o pirralho surtando de felicidade por ter ganho seu primeiro vídeo game, e nem estou falando do mais moderno e interplanetário vídeo game, me refiro ao modelo mais pobrinho, mais 2D, mais preto e branco mesmo. E aí você vai passar horas da sua vida na frente da tela, enfrentando monstros, colecionando vidas, recordes, vai salvar princesinhas tolas até... FIM. O jogo acaba. Hora de novos desafios.

Bem, essa criança pode ser de mentira, pode ser eu, tu, ele, nós, vós e eles e esse vídeo game louco é a vida. Pelo menos a minha, já que o blog é meu... Afinal não faria sentido eu comentar sobre a vida de outras pessoas, apesar de gostar de fofoca e... Voltemos ao foco.

De certo modo jamais esquecerei a minha reação quando consegui vencer sozinho meu primeiro jogo de vídeo game, mesmo porque foi a mesma reação utilizada quando me formei no colégio. Conseguia ver os créditos subindo enquanto jogava aquele cafona chapéu quadrado para o alto (jamais o encontrei novamente). Prometi que demoraria para entrar num jogo novamente, porém um mês depois lá estava eu na fase do pré-vestibular, tão chato, tão cansativo, só deixou de ser uma perda de tempo quando aprendi a matar as aulas e foi por essa razão que não consegui passar no vestibular. Não lamento por isso, mesmo porque não sei o que tinha na cabeça quando cogitei a ideia de fazer odontologia, além de ter horror a sangue e agulha, eu morava no Paraná, a terra do "pé-vermelho"e tenho certeza que não seria como aqueles impecáveis dentistas elegantes e de branco brilhante Omo.

O tempo passou, me casei com o teatro e só depois de muito tempo voltei a jogar vídeo game. A faculdade de letras não era tão interessante como eu imaginava, logo no segundo período eu já queria apertar o Reset, aguentei até um certo tempo, mas a Sintaxe me levou ao Game Over.

Me formei tardiamente, agora seria hora de descansar e desfrutar dos bônus conquistados, ou poderia sair e procurar emprego e me tornar uma pessoa com quase trinta anos e que não depende dos pais. Eu saí e fui procurar emprego. Talvez possa comparar o emprego como a "fase do labirinto" vários lados para percorrer, um único final e várias armadilhas.

Certa vez me surgiu uma oportunidade interessante. Contei os dias para a tal entrevista. Fiquei lindo, um Deus entre os mortais, saí para me aventurar. A imensa sala de espera mais parecia um cenário de jogo RPG, tinha gigantes musculosos, fadinhas fofas, bruxas estranhas e eu... Um duende cômico. Vi as pessoas saindo, estava tão nervoso que comecei ouvir um batucar e descobri que nada mais eram que meus pés, as mãos estavam suadas. Tensão. Era a minha vez. Não passei, mas também não entrei em crise, não estava preparado para aquele tipo de aventura.

Ainda me encontro nesse labirinto e sem saber para que lado seguir, não existem detonados para a nossa vida, e como tolo libriano que sou tenho problemas com escolhas. Até lá continuarei seguindo por todos os caminhos que se mostrarem disponíveis e desejando não encontrar nenhum Minotauro no fim da aventura.

INSERT COINS TO CONTINUE...


Por favor, assistam isso:

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Once Upon a Time - O Reality


Ariel – A Trans da casa
Branca de Neve – Mora com anões
Cruela – Casaco de gosto duvidoso
Mégara – Vilã ou mocinha?
Mulan – Pronta pra guerra
Tiana – A pobre suja que beija sapo

Aladdin – Mendigo gato das Arábias.
Príncipe Edward – Giseeeeeeele
Chapeleiro Louco – Toma chá com lebres
Fera – Pelos
Quasímodo – Obra de Picasso
Tarzan – Rei da Floresta


            A noite estava linda. O mundo mágico estava eufórico, afinal era a primeira vez que grandes personalidades estariam reunidas, confinadas e batalhando por um único – e secreto – prêmio.
            Os ilustres participantes se dirigiram ao “Castelo mais vigiado” onde, obviamente seriam recebidos com uma grande festa. O programa já começou maravilhoso com o primeiro barraco da edição. O muito lindo e pouco inteligente Príncipe Edward não queria se separar de seu cavalo. A cena era de uma bizarrice tamanha que senti pena do pobre animal, no caso o cavalo. Cruela, pela primeira vez demonstrando sanidade mental, achou a situação deselegante, apagou seu cigarro na mão do príncipe e assim comprovou que não consegue ser lúcida por muito tempo. Punição!
            A regra do programa era clara. Nada de cigarro, nada de agressão e nada de animais (a produção informa que Ariel e Fera são seres mágicos e não pertencem a categoria “animais”).
            Branca de Neve fazia tipo, achava-se a princesa mais importante do mundo, uniu-se a Ariel e passavam o dia falando mal dos demais, ganharam meu coração quando colocaram os novos personagens em seus devidos lugares. Tiana não consegue mais dormir depois de ter sido humilhada pelas princesas veteranas.
            Não demorou muito para Tarzan tornar-se o galã da casa. O selvagem desfilava seminu pelo castelo fato que causava histeria entre as participantes do sexo oposto. Mulan que andava confusa sobre sua sexualidade passou a usar mais roupas femininas depois de se deparar com o rei da selva entoando seu famoso grito de guerra no alto de uma árvore.
            Mégara ainda não descobriu o que está fazendo no jogo. Passa horas estática como uma estátua grega, ainda não encontrei serventia na personagem, pelo menos é bonita, ao contrário de Quasímodo, este está sofrendo com sua baixa autoestima e já foi flagrado várias vezes escondendo-se debaixo de um capuz, não vejo muito futuro para o personagem.
            Tudo leva a crer que Cruela anda apaixonada, só não sabemos ainda quem é seu alvo, parece estar dividida entre o pobre e jovem Aladdin e a Fera milionária. Vale lembrar que nos primeiros dias o Chapeleiro tentou uma aproximação, mas o máximo que conseguiu foi dividir uma xícara de chá com gosto duvidoso. 

CONTINUA...
                        

domingo, 27 de janeiro de 2013

Sou eu? Não! É você? Não! Então quem é? É NÓS DO ASFALTO

ESTE POST FOI REFORMULADO POR MOTIVOS DE: VONTADE PRÓPRIA. DÊ O PLAY E ENTRE NESTA AVENTURA:



Primeiro Elenco de "O Menino Pinóquio e a Cidade Perdida"
A verdade é que a vida andava fedendo a merda! Até mesmo o teatro não estava mais fazendo sentido. Pessoas boçais sendo idiotamente odiosas e capitalistas, perda de tempo, dinheiro, suor e paciência. A magia estava se esgotando e nem mesmo nos maiores sites de busca eu conseguia encontrar um macete para fazer o poder voltar às minhas mãos. Eu já me sentia estampando minha própria lista de atores ruins...

Quando já estava me sentindo a Nina , naquele cemitério fedido, sendo enterrada por uma Carminha maligna e histérica, uma fada azul apareceu. A fada era um tanto quanto incomum, usava aparelho ortodôntico,dançava um balé desengonçado e suas palavras mágicas não faziam muito sentido. Aí, de repente eu não era mais uma pessoa, mas sim um boneco de madeira com uma peruca de gosto duvidoso e aquilo não era mais a vida real, mas sim uma peça de teatro... Talvez a peça da minha vida.

O que eu Pinóquio temos em comum? Bem, além do nariz extravagante e de amar usar sapatos vermelhos, também desejamos nos tornar “meninos de verdade” e não bonecos manipulados por terceiros, quartos e quintos...

Quando eu era adolescente e tive internet na minha casa pela primeira vez - uma conexão discada, horrorosa, em que eu tinha que esperar, como Cinderela, o relógio marcar meia noite para arrastar o computador para a sala e encaixar o fio do telefone – meu primeiro endereço de E-mail era “pinoquio@algumacoisaquenãolembro.com.br”, tudo isso resultado de um bullyng feito por um primo obeso.  Eu tinha vergonha do E-mail e jamais imaginaria que anos, muitos anos depois, eu estaria cantando e dançando numpalco ao lado de um grilo de smoking verde com lantejoulas.

Esse texto parece não ter nenhum sentido, mas de todo modo o que quero dizer é que há um bom tempo não me sentia tão feliz de estar cercado por pessoas incríveis que partilham a mesma paixão pelos palcos e 
que – mesmo tendo demorado alguns atos, cenas e apresentações – o sobrenome “Nós do Asfalto”já foi devidamente tatuado em alguma parte estranha do meu corpo. Esse não é só uma publicação sobre teatro, é sobre vida.

Nós do Asfalto – que não é uma variação de outro grupo de nome semelhante – surgiu na minha vida de maneira inesperada. Não foi um grilo que cantou, ma sim meu celular e um minuto depois eu já estava protagonizando um espetáculo teatral. Foram muitos os atores brilhantes que ajudaram a contar a história do “Menino Pinóquio e a Cidade Perdida”, muitos atores, muitos palcos e muitos sentimentos explodindo. Assim como toda família que se preze é óbvio que muitas vezes me vi querendo atirar alguém do alto da pedra do reino, aprisionar numa lâmpada mágica, ou simplesmente mandar caixas e mais caixas das mais brilhantes maças envenenadas, mas quem nunca, né? Toda história interessante precisa de grandes momentos de tensão e tesão...
Quando eu odiava minha vida e todas as noites procurava estrelas cadentes para implorar que todos os acontecimentos fossem parte de um Reality Show, apenas fruto da ideia diabólica de algum produtor de TV e que meuverdadeiro nome era Truman Burbank , a Cia de teatro me fez sorrir e aí me senti querido, tão querido que já não me aguento, pois nunca estou satisfeito!


Hoje em dia minha vida continua fedendo a merda... Só que no teatro... Isso é uma coisa boa.
Portanto: MERDA!

Matéria do Jornal "O Globo"
E o fim é belo, incerto...
Depende de como você vê...

Só enquanto eu respirar... Vou me lembrar de vocêS

CONTINUA...



quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Virando Água Corredeira Abaixo

Quando eu acordei eu sabia que alguma coisa estava podre. Peguei minhas meias fedorentas, joguei no lixo e voltei a dormir, pois não sou obrigado... Mas não era aquilo, algo mais pútrido ia explodir a qualquer minuto. Tentei não ser paranoico e decidi voltar ao mundo dos sonhos... Um minuto depois meu celular despertou uma música que desconheço...


Mesmo que atrasado fiz questão de escolher minuciosamente o figurino antes de sair, já que o dia prometia ser um saco de fezes, que pelo menos eu estivesse bonito para enfrentá-lo. Com passos psicóticos segui pela rua... Mentalmente eu ouvia tocar um rock clássico e envolvente, tão clássico e envolvente que nenhuma banda tinha, até o momento, gravado devido o seu grau de envolvência.

Quando cheguei à faculdade o cenário era de filme de terror. Ela estava vazia e eu conseguia ouvir o eco de minha respiração, tá essa parte é mentira, mas era assim que estava fantasiando. Parei de frescura e corri pra sala, minha prova tinha começado há quinze minutos. Só quando estava acomodado e pensando em como fazer uma redação argumentativa tendo tempo de menos e psicopatias de mais é que caiu a ficha de que não tinha comido absolutamente nada durante todo o dia!

Inesperadamente escrevi trinta e cinco linhas das vinte que a professora havia pedido. Saí da sala apoteoticamente batendo a porta com tanta força que o estrondo mais pareceu um relâmpago... E era! Um dilúvio coreografava Gangnam Style do lado de fora. Não demorou muito para aquela água, repleta de toda sorte de doenças existentes, subisse. Eu estava ilhado e com fome... Pela primeira vez (mentira, mas não quero falar sobre isso) pensei em canibalismo.

Com muito esforço saí da faculdade, traçando um plano para conseguir chegar em casa sem molhar meu tão querido All Star de couro branco.  Entrei numa rua ela estava cheia, virei para outra e tinha correnteza. O desespero começou a tomar conta. Passei em frente um Mc Donald’s e bateu uma vontade de afogar as mágoas com comida cancerígena, mas eles estavam fechando.

Não estranharia se, repentinamente Nana Gouvea aparecesse de biquíni e câmera digital, talvez pudesse usar seu corpo como bote e assim chegar até minha casa, foi quando eu o vi... Um hambúrguer gigante vinha em minha direção. Meu Deus, o que estava acontecendo comigo? Era só um gordo de camisa laranja barata. Ele seguia uma trilha, parecia ter um plano, eu fui atrás, pois se ele caísse num buraco era só desviar a rota.

Aquilo tinha se transformado num vídeo game louco, eu desviava de buracos, pulava poças, corria de carros equipados com hidrobombas Blastoise. Proteger o tênis era a meta, ele era o ídolo sagrado daquele “Survivor Zona Oeste”. Enfim tinha achado um lugar seco e seguro pra passar. PISEI e meu pé afundou, parecia a piscina de amido do Domingo Legal. Até minhas lágrimas choraram... Sorte no jogo pra que? 

Cheguei em casa e teatralmente desmaiei no chão da cozinha, ao som de Amy Winehouse, mas sem nenhum álcool para salvar o dia. Como não tinha nada para me anestesiar, procurei algo que me fizesse esquecer desta QUINTA FEIRA 13....

E aí eu achei isso:


E DE HOJE EM DIANTE EU SOU UM PANDA E QUERO RESPEITO!


sábado, 1 de dezembro de 2012

Era uma Vez no Paraná...


Paraná é uma palavra tupi guarani que define um braço de
rio, largo e extenso, que forma uma ilha, e que encontra o
mesmo rio mais adiante.

paraná do tupi guarani: pará + nã = semelhante ao mar.

Este post está repleto de links para maior (ou não) diversão e entendimento.



Hoje é dia de desembrulhar aquele chiclete velho que tava no fundo da gaveta. Vou inaugurar aqui uma sessão que será um sucesso tão grande e mágico que logo a MTV irá produzir uma série estrelada por Marcelo Adnet... Poderá também se tornar mais esquecível que a carreira musical de Théo Becker (Vocês lembram? Nem eu!)

Bem é inegável que tudo isso está ligado a uma certa tendência egocêntrica, gosto de falar de mim, afinal sou o dono disso tudo aqui! O fato é que inúmeras vezes, com amigos de todos os círculos, quadrados e, agora, triângulos, vivo a narrar minhas loucas e animadas desventuras de quando era uma criança feia de pé vermelho e vivia no Paraná.

Então, como no antigo programa da Xuxa, joguei as cartinhas par ao alto e foi sorteada uma viagem pra Disney "Uoldi", mentira, foi sorteado um tema de inauguração e hoje falarei de Fabiana.

Fabiana tem a minha idade e foi uma das minhas melhores amigas de infância, ou seja, nutri por ela uma paixão platônica enlouquecedora. Éramos duas crianças estranhas com roupas cafonas. Eu era nanico, "zóiudo" e me vestia como um Chiquitito; ela era amarela, testuda e usava um vestido listrado preto e amarelo que eu abominava. Nunca namoramos.

Ela era a mais velha de dois irmãos, sua família também era evangélica e a proibia de brincar com meninos (RISOS), a ponto de uma vez seu pai aparecer em minha casa ordenando que minha avó colocasse um fim em nossa amizade. Minha avó, além de gargalhar na cara dele, também ordenou que "ele prendesse suas cabritas, uma vez que seu bode estava solto". O Bode era eu...

O mais divertido dessa parceria é que crescemos numa doutrina rígida de uma religião (onde eu era o único, em toda cidade, que tinha TV em casa. Isso era imperdoável... Mesmo que todos os "irmãozinhos" ocupassem meu sofá pra ver desenhos diariamente) éramos vistos como rebeldes. Todos os outros de nossa idade já tinham se batizado e, como eles costumam hipocritamente dizer, saído do mundo (Assim é chamado o território fora das regras evangélicas).

Anos antes do surgimento de Geisy Arruda, minha amiga já havia sido hostilizada, quando, num passeio religioso, apareceu usando um vestido que era um palmo acima do joelho, um escândalo para a sociedade. O dia em que surgiu trajando calça vermelha e cabelo escovado conseguiu ser mais apoteótico que o retorno de Paola Bracho em "A Usurpadora", merecia uma trilha sonora.

Mas... Aquelas crianças jogaram-se na Lagoa Azul, cresceram e cada um seguiu seu próprio caminho, no entanto, conscientemente sabemos que ainda vamos nos reencontrar e rir... Mesmo tendo certeza que o passado não volta e a magia não será a mesma... Como numa reprise de Maria do Bairro.




domingo, 18 de novembro de 2012

Velharias

"Traste ou objeto antigo."

Tudo começou com uma vontade repentina. Costumo ter essas vontades repentinas: Vontade de escrever um livro, vontade de aprender a tocar Oboé, vontade de pesquisar sobre o que é um Oboé, vontade de vender tudo o que tenho e fugir para os Estados Unidos e participar do X-Factor e ser julgado pela Britney e Demi Lovato... Enfim, tudo começou com uma vontade repentina de mudar de lugar todas as coisas de meu quarto. Apesar do inexplicável tesão em arrumar gavetas, não sou nenhum fanático em organizar coisas e a preguiça me obriga a dizer que acho a desordem mais interessante, por mais apocalíptica e desesperadora que possa ser.

Era um dia qualquer da semana e eu estava entediado. Não que me faltassem tarefas, porém os dias que fico sem acesso a internet me irritam mais que gordas de tomara-que-caia. Já tinha atualizado alguns capítulos do meu romance; performado algumas músicas como um cantor profissional num clipe repleto de efeitos de fumaça e vento (adoro vento); e assistido a dois filmes antigos... Ainda faltava alguma coisa, pensei em sexo, mas cruzar a ponte Rio Niterói seria uma aventura mais complicada que completar o projeto de arrumar as coisas do meu "tão sem identidade" quarto.

Olhei para a porta, com diversas figuras coladas, um projeto antigo e fracassado, como muitos outros. Fiquei com preguiça dela. Queria mudar, mas não sabia por onde começar. 

Quando já estava desistindo e procurando a nova música que me transformaria em capa da Rolling Stones, meus olhos gigantes se cruzaram com a pequena caixa de isopor. Lá estava ela, velha, feia e com uma grosseira pintura vermelha, fruto de outra vontade repentina a de estilizar tudo que tinha. A emoção foi tão gigante que nem ao menos procurei nada para subir e retirar aquele tesouro de cima do armário. Dei o primeiro salto e não deu outra, agarrei a caixa, ela escapou da minha mão e, em câmera lenta, todo seu conteúdo se virou em cima de mim. 

Toda uma parte da minha vida estava ali. O elenco que dirigi durante anos, agora eram meros aposentados e a caixa era o "Retiro dos Artistas". Batman, Hércules, os Power Rangers, um Super Mario sem cabeça, Xena estava nua, Sailor Moon continuava linda. Alguns bonecos ali eu nem lembrava que ainda guardava. Aquele era O Elenco da velha caixa de Isopor! Foi com eles que passei grande parte da minha infância, criando sagas com trilha sonora, elenco fixo, temporadas e premiações. Talvez sejam eles os responsáveis por uma porcentagem considerável de insanidade que  ainda me habita.

Já estava me sentindo personagem de Toy Story, tratei de pegar os bonecos (com muito cuidado e carinho) e os fechei na caixa. Se ganhassem vida, não sei se ficariam felizes de estarem ali naquela caixa velha, amontoados uns sobre os outros. Consigo imaginar Superman em atrito com um dinossauro que ocupa muito espaço, também vejo Mulher Gato e Hera Venenosa praticando Bullying com a não tão famosa Mulher Aranha. Pensei numa nova série que seria sucesso mundial, contudo resolvi voltar a idade adulta e continuar na arrumação.

Eu precisava mudar o foco. Expulsei o ventilador. Um objeto, velho, branco e alto, também era usado para pendurar a toalha e isso não melhorava em nada sua aparência. Pesquisei em toda casa o lugar mais apropriado para exilar aquele objeto, foi quando me lembrei das noites quentes em que ele me jogava ventinhos abafados. Senti ternura. Não tinha outro lugar pra ele! Quase que lhe dei um abraço patético, mas me limitei a olhar feio para o canto da parede onde seria instalado um ar-condicionado. Descobri que ventiladores são poéticos, ainda mais quando lhe penduramos toalhas.

Fiquei em silêncio. Imóvel. Olhei para o teto, paredes, chão. Reparei em todas as suas velharias e imperfeições e em todas as MINHAS velharias e imperfeições. Com um meio sorriso seguido de um suspiro, atirei-me na cama e dormi.




segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Trânsito

"Considera-se trânsito a utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada, estacionamento e operação de carga ou descarga."

As poucas pessoas, que ocupavam aquela limpíssima rua, eram lindas, não tão lindas para não mexer com minha autoestima. O clima era confortável e o ar tinha o cheiro que eu decidisse, nesse caso: Chocolate! Ah, a felicidade dos dias perfeitos!

Acordei com algo queimando o lado direito de meu rosto, justamente o lado mais fotogênico. Fazia um calor de incontáveis graus e tinha sido péssima a ideia de usar a janela do ônibus como travesseiro. A pessoa ao meu lado não era a mesma de dez minutos atrás, da mesma forma que a de dez minutos atrás não era a mesma de antes, ou seja, todo mundo conseguia chegar a seu destino... Menos eu, é claro!

Porque tanto semáforo? E essa quantidade absurda de veículos? Deus, porque o trânsito nunca está do meu lado? Estamos em 2012 e Spielberg mentiu pra mim, não existem carros voadores!

Cheguei a uma triste, porém verdadeira conclusão: É um ledo engano achar que sair de casa com uma hora de antecedência lhe fará chegar mais cedo. Quando você sai com uma hora de antecedência, você só ganha o amargo brinde de ficar mais uma hora no trânsito.Seja blitz, Lei Seca ou até mesmo o acidente envolvendo a kombi das freirinhas da Tijuca, não importa... VOCÊ NÃO CHEGARÁ MAIS CEDO!

Troco olhares com o relógio. Ele está certo, eu atrasado. Decido ficar olhando sem parar, quem sabe o tempo poderia passar mais lentamente. Hipnotizado, caio no sono.

Lá vou eu, de patins mágicos, deslizando por uma rua linda. Sigo comendo algodão doce e acenando para coelhos simpáticos. A trilha sonora é indie, com uma letra sem sentido e melodia que te deixa feliz. Amo música indie! 

A canção é interrompida por guitarras furiosas e demoníacas. Acordei, estou atrasado e no ponto final... Ainda sonolento, atendo o celular, prometendo mudar aquela música assim que encerrasse a ligação. Do outro lado da linha tem alguém possuído ameaçando arrancar minha cabeça e servi-la com pão integral e refrigerante light, SOCORRO!

É claro que não sabia onde estava. Óbvio que ninguém saberia me dar nenhuma informação relevante, mas uma certeza eu tinha: Precisava de um ônibus...